Thiago Lorenzi critica a cultura brasileira de focar em relatórios e documentos técnicos como AET e AEP, em vez de implementar melhorias ergonômicas práticas no ambiente de trabalho. Ele destaca que a verdadeira ergonomia deve se traduzir em mudanças tangíveis que beneficiem os trabalhadores, ao invés de serem meras formalidades para cumprimento legal. Lorenzi defende uma mudança de paradigma onde a eficácia das intervenções ergonômicas é priorizada, responsabilizando as empresas pela qualidade real das condições de trabalho que oferecem.
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Do Papel à Prática: O Desafio de Implementar Ergonomia Eficaz
A cultura brasileira que se perpetua em torno da produção de laudos, pareceres e documentos técnicos para cumprimento de requisitos legais e normatizações regulamentadoras é um tema que merece uma reflexão crítica. Observa-se frequentemente que esse foco no papel se torna uma barreira para a implementação de melhorias efetivas no ambiente de trabalho, especialmente em áreas como a ergonomia. É comum que as empresas se sintam satisfeitas em simplesmente gerar documentos, como AET (Análise Ergonômica do Trabalho), AEP (Análise Ergonômica de Postos de Trabalho) e PGR (Programa de Gestão de Riscos), sem que haja uma real vontade de aplicar as mudanças necessárias que irão beneficiar o trabalhador, representado pelo “João” e pela “Maria”.
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A ergonomia, por sua natureza, deve ser voltada para a melhoria das condições de trabalho e para o bem-estar dos colaboradores. No entanto, a realidade é que muitos profissionais que atuam nessa área se deparam com um mercado que valoriza mais a apresentação de documentos técnicos do que a efetividade das ações ergonomicamente corretas. As organizações frequentemente se acostumaram a adquirir apenas relatórios que, embora atestem uma conformidade superficial com as normas, não garantem melhorias práticas no cotidiano do trabalhador. Esta dinâmica gera um ciclo vicioso em que a segurança e a saúde ocupacional são tratadas como meras formalidades, e não como pilares essenciais para o desenvolvimento humano e organizacional.
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É fundamental, portanto, que haja uma mudança de paradigma. A efetiva gestão do risco ocupacional deve ser priorizada e implementada de modo que as intervenções ergonômicas realmente alcancem os trabalhadores. Para que isso aconteça, as empresas precisam ser mais responsabilizadas pelo impacto real de suas ações, ou melhor, pela ineficácia de suas omissões. A cobrança deve se dar não apenas pela quantidade de documentos gerados, mas sim pela qualidade das condições de trabalho proporcionadas aos seus funcionários.
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Anseio pelo dia em que a fiscalização não se preocupe mais em verificar se as empresas possuem ou não os documentos de AEP ou AET. Para mim, isso é irrelevante. O que realmente importa é que as empresas demonstrem as ações concretas que implementaram em ergonomia, as quais transformam o ambiente de trabalho e promovem conforto e eficiência nas operações.
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Um passo essencial para essa transformação, além de ajustes nas normas e critérios de fiscalização, é que os profissionais que atuam na área compreendam os benefícios que as ações de saúde, segurança e ergonomia podem gerar para os negócios. Para alcançar esse objetivo, os profissionais de ergonomia e segurança do trabalho devem deixar de vender apenas documentos e passar a oferecer a implementação efetiva dos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais.
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Em conclusão, a crítica à cultura dos laudos e pareceres se fundamenta na observação de que a verdadeira ergonomia deve se traduzir em benefícios tangíveis no ambiente de trabalho. Somente por meio de uma gestão efetiva e compromissada com a saúde ocupacional será possível transformar a realidade dos trabalhadores, garantindo que o que se faz no papel seja, de fato, refletido na prática. Essa mudança é vital não apenas para o bem-estar dos colaboradores, mas também para a sustentabilidade e a ética das organizações em um mercado cada vez mais exigente.
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FONTE: https://www.rsdata.com.br/do-papel-a-pratica-o-desafio-de-implementar-ergonomia-eficaz/ – Os textos deste post foram compartilhados do site RS DATA cabendo a estes os direitos autorais.